Miga.
Da identidade à experiência digital de uma rede criada entre mulheres.
Branding, design de produto e landing page para um aplicativo voltado à criação de conexões, trocas e redes de apoio entre mulheres, com foco em saúde mental feminina.

Conexões importantes nem sempre acontecem espontaneamente.
O Miga nasceu como um desdobramento do Mais um Dia, aplicativo de saúde mental voltado a estudantes que recebeu reconhecimento no Acessa 2022, da revista Veja. A partir dessa base, as fundadoras Alice Agnes e Hareli Cecchin identificaram a necessidade de um espaço voltado especificamente à saúde mental feminina — construído a partir de conexão, troca e rede de apoio entre mulheres.
O desafio inicial era transformar essa intenção em uma marca confiável e em uma experiência digital simples de compreender, mantendo a seriedade do tema sem torná-lo distante.
Acolhedor sem ser infantil. Feminino sem recorrer ao óbvio.
Transmitir segurança e proximidade, evitar uma estética genérica de “aplicativo feminino”, comunicar conexão sem parecer namoro, equilibrar espontaneidade e credibilidade — e criar uma identidade capaz de funcionar tanto na divulgação quanto no produto.
Dar personalidade a uma ideia que ainda estava ganhando forma.
O conceito de marca, a origem do nome, o significado do símbolo, a escolha tipográfica, a paleta, os elementos gráficos e o tom de voz formaram um conjunto de princípios que precisavam sobreviver na interface.
A marca precisava funcionar além da comunicação.
O passo seguinte foi traduzir a identidade para um ambiente funcional. Cores, tipografia e formas não poderiam existir apenas como elementos decorativos: precisavam ajudar a estabelecer hierarquia, orientar ações e manter a sensação de proximidade dentro do aplicativo.
Linguagem conversacional e acolhedora
Textos de interface escritos como fala entre pessoas próximas, não como instrução de sistema.
Clareza nas ações e informações de perfil
Hierarquia visual que deixa explícito o que cada ação significa antes de ser tomada.
Composições leves e elementos expressivos
Formas e ritmo visual que evitam a rigidez de um sistema puramente utilitário.
Destaque para pessoas, interesses e interações
Pessoas e interesses em primeiro plano visual, à frente de qualquer ornamento.
Tornar a proposta compreensível desde o primeiro acesso.
Os fluxos abaixo correspondem ao que foi de fato desenhado nesta fase — onboarding, criação de perfil, descoberta, interesses, conexão e conversa.
Decisões que sustentam o posicionamento.
Distinguir rede de apoio de app de encontros
- Contexto
- A proposta corria o risco de ser lida como um app de relacionamento.
- Alternativa
- Cards de "match" com foto em destaque, modelo comum em apps de encontro.
- Escolha
- Perfis organizados por interesses e contexto de vida, não por atratividade.
- Justificativa
- A hipótese de design adotada foi priorizar afinidade sobre aparência para reforçar o propósito de conexão.
Apresentar a proposta no onboarding
- Contexto
- Novas usuárias precisavam entender o propósito do Miga em poucos segundos.
- Alternativa
- Onboarding longo, com múltiplas telas explicativas antes do cadastro.
- Escolha
- Abertura direta com uma frase de propósito, seguida de poucos passos essenciais.
- Justificativa
- A decisão inicial foi reduzir fricção sem abrir mão de deixar clara a proposta de valor.
Usar interesses para facilitar conexões
- Contexto
- A descoberta precisava de um critério de aproximação além da localização.
- Alternativa
- Descoberta baseada apenas em proximidade geográfica.
- Escolha
- Interesses declarados no perfil como principal filtro de descoberta.
- Justificativa
- A hipótese de design adotada foi que afinidade de interesses gera conversas mais fáceis de iniciar.
Comunicar confiança e segurança
- Contexto
- Uma rede entre desconhecidas exige sinais explícitos de segurança.
- Alternativa
- Deixar a denúncia e o bloqueio em um menu secundário, pouco visível.
- Escolha
- Ações de segurança e denúncia acessíveis diretamente a partir do perfil e da conversa.
- Justificativa
- A decisão inicial foi tornar a segurança visível o suficiente para gerar confiança, não apenas existir tecnicamente.
Antes de entrar no aplicativo, era preciso compreender a proposta.
A landing page apresenta o Miga, explica para quem ele foi criado e torna a proposta menos ambígua — construindo confiança e direcionando para cadastro ou lista de espera, com coerência visual entre site e aplicativo.
A versão atual, publicada em novamiga.netlify.app, foi desenvolvida por mim.
O ponto em que minha participação terminou.
Minha participação esteve concentrada na criação da identidade e na estruturação da primeira experiência digital do Miga, incluindo o aplicativo e sua landing page — ao lado de Alice Agnes e Hareli Cecchin, fundadoras do Miga, que conduziram boa parte da observação e pesquisa que embasou as decisões de produto.
Validei algumas funcionalidades específicas com testes pontuais no Maze, com um pequeno grupo de usuárias. Não tive acesso contínuo a dados de uso ou métricas do produto após essa fase, e não atribuo às soluções resultados que não pude acompanhar ou validar.
Se o projeto avançasse para uma nova rodada, as principais hipóteses a validar seriam:
- Compreensão da proposta — se a distinção em relação a apps de relacionamento fica clara sem explicação adicional.
- Conclusão do onboarding — se o fluxo reduzido de fato mantém a taxa de conclusão.
- Qualidade das conexões sugeridas — se a descoberta por interesses gera conversas relevantes.
- Sensação de segurança — se as ações de denúncia e bloqueio são percebidas como suficientes.
- Ativação e retorno ao produto — se a primeira experiência sustenta o uso contínuo.
O sistema entregue.
1
Identidade visual completa[N]
Telas de app desenhadas1
Landing page publicada1
Design system inicialReconhecer o que ainda não se sabe.
O Miga reforçou para mim que construir a identidade de um produto e desenhar sua interface fazem parte de uma mesma experiência. Também deixou evidente o limite de uma solução que não passa por ciclos contínuos de pesquisa, medição e evolução. O trabalho entregue estabeleceu uma base visual e funcional; validar como essa base responde ao uso real seria necessariamente a etapa seguinte.
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